Gravidez aos 40: Riscos, cuidados e vantagens

Nós já conversamos aqui no site sobre tomar a decisão de ficar grávida aos 40 anos (ou um pouco mais, ou um pouco menos). Confira aqui nesse link. Mas você realmente sabe quais os riscos, cuidados e vantagens de uma gravidez tardia?

O 40deBoa foi conversar com a ginecologista e doutora em Reprodução Humana, Layza Merizio Borges.

Dra Layza Merizio Borges (FOTO: Jaqueline Sathler)

Nós trouxemos 5 questões para que você entenda quais são os riscos, os cuidados necessários e as vantagens de uma gravidez tardia.

É mais difícil engravidar naturalmente aos 40 anos?

Sim, é mais difícil engravidar naturalmente aos 40 anos porque nessa idade os ovários já sofreram um envelhecimento e a qualidade e a quantidade dos óvulos  se encontra via de regra diminuída por volta dos 40 anos.

Na verdade, os ovários tem um estoque de óvulos que é produzido quando a mulher está sendo gerada e esse estoque vai diminuindo ao longo dos anos depois que a mulher começa a menstruar e  a ovular na puberdade, de forma que após  os 35 anos ocorre uma perda mais acentuada da quantidade e da qualidade dos óvulos. Sendo assim, após os 40 anos o número de folículos e, consequentemente, de óvulos já está reduzido e o número e a sua qualidade também, o que vai diminuir tanto a taxa de fertilidade quanto aumentar o risco de doenças genéticas embrionárias o que acaba aumentando também a taxa de abortamentos e o nascimento de bebês com alguma síndrome genética.

 Quais são as vantagens de ser mãe aos 40 anos?

Acredito que a maturidade e talvez a tranquilidade de já ter uma posição profissional mais sedimentada.

 Quais são os cuidados necessários quando uma mulher de 40 anos resolve engravidar?

É sempre é importante usar o ácido fólico.  Na verdade hoje é usado o metilfolato, que é um ácido fólico mais elaborado. O ideal é que a mulher esteja usando há pelo menos dois meses a três meses antes de engravidar. Existem alguns estudos que mostram que a coenzima Q10 também melhora a qualidade de óvulos. A paciente precisa ter uma boa taxa de vitamina D e uma boa reserva de ferro.

É muito importante ser uma pessoa que tem uma alimentação adequada, pratica exercício físico, evita tabagismo e álcool e isso é indicado para  todas as gestações, mas principalmente, nos extremos da vida reprodutiva e, nesse caso, acima de 40 anos, existe uma maior incidência de hipertensão gestacional e diabetes gestacional. Então o controle adequado do peso, um pré-natal mais rigoroso, fazer um pré-natal com um especialista em gravidez de alto risco para que  caso ocorra alguma intercorrência que seja controlada adequadamente, principalmente, se for gravidez gemelar porque a gravidez gemelar aumenta ainda mais o a incidência de hipertensão e diabetes gestacional e também tem os riscos de prematuridade.  Então a gestação gemelar via de regra cursa com prematuridade.

 Quais os riscos de uma gravidez depois dos 40 anos de idade – tanto para a mãe como para a criança?

Aumento de diabetes e hipertensão gestacional, prematuridade, principalmente, se for gravidez gemelar, esses riscos são aumentados.

 O pré-natal de uma mulher com 40 anos é diferente do das outras gestações?

O pré-natal não é diferente. Ele é mais cuidadoso, mais rigoroso, talvez com intervalo menor entre as consultas, principalmente, quando a mulher já tem alguma doença de base. A principal diferença é como a mulher está quando ela engravida. Hoje a gente dá muito valor a isso:  ao planejamento pra engravidar em relação à saúde, estilo de vida. Então como que é essa paciente está quando ela engravida? Se ela está acima do peso ela precisa fazer um pré-natal mais rigoroso em relação ao controle do peso, encaminhar para uma nutricionista especialista em gestante, se essa paciente já tem hipertensão arterial crônica, sabemos que o risco de restrição de crescimento fetal é mais alto, de prematuridade, de agravamento da hipertensão com uma doença hipertensiva específica da gestação, que é a DHEG.

Se a paciente tiver diabetes pré-gestacional tende a ocorrer um descontrole ao longo da gestação que também põe riscos maternos e fetais. Então tudo isso depende de como essa paciente era antes de engravidar, e ao longo da gravidez também, porque às vezes a paciente acima de 40 anos pode ganhar mais peso, pode ter uma dificuldade maior em lidar com as modificações específicas promovidas pela gravidez. Por isso,  é preciso haver um controle mais rigoroso com consultas com menor intervalo e se surgir uma comorbidade na gestação a paciente precisa ser vista toda semana e os ultrassons precisam ser mais  frequentes. Tudo depende qual e se ocorrerá patologia na gravidez.

E tem mais conteúdo sobre o tema aqui no site. Clique nesse link e acesse.

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